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Reid Hoffman, o fundador do LinkedIn

Se tem algo valioso no mundo dos negócios é a experiência de pessoas que já passaram pelos mesmos problemas que você está enfrentando. Por isso, é sempre bom conhecer histórias de sucesso e o que as pessoas envolvidas fizeram para alcançá-lo.

Se você concorda, existem alguns livros que podem ser sugeridos para você:

  • Startup – Founders at Work;
  • Gamers at Works;
  • Coders at works; etc.
  • Porém, este artigo é uma máteria sobre Reid Hoffman e a história do Linked In, publicada originalmente no site EscolaFreelancer:

    Faz quase um ano que Reid Hoffman testemunhou um dos momentos mais importantes da sua história enquanto empresário: A oferta pública inicial de acções do LinkedIn tinha sido concretizada. As ações da empresa fecharam o dia valendo 94,25 dólares. No dia seguinte, o preço subiu até aos 122,70 dólares. No total, foram vendidas 7,84 milhões de ações, conseguindo arrecadar algo como 352,8 milhões de dólares. O sucesso fez com que o LinkedIn ficasse entre as cinco empresas na era da internet com ofertas públicas mais valiosas.

    Este foi apenas um dos momentos de sucesso na carreira de Reid Hoffman. No artigo de hoje, pretendo que o leitor fique conhecendo um pouco mais da história de um dos maiores empresários de sucesso do século XXI e consiga aprender um pouco com a história de Hoffman.

    HISTÓRIA DE VIDA

    Reid Hoffman concluiu a sua licenciatura em Stanford, no ano de 1990. Depois de terminar o curso, o empresário teve como primeiro objetivo de vida ser professor. Contudo, acabou por alterar a sua opção pouco tempo depois. “Quando terminei a licenciatura em Stanford, eu queria ser professor e um intelectual que falasse sobre assuntos do dia-a-dia. Mas não queria ser como Kant. Queria ajudar a sociedade a responder às perguntas “Quem somos nós” e “Quem devemos ser, enquanto pessoas e sociedade?”. Por isso, acabei por optar pela via do empreendedorismo”.

    O primeiro emprego foi logo numa das maiores companhias do mundo: A Apple. “Eu precisava aprender como podia fazer crescer uma startup. A oportunidade de trabalhar na Apple surgiu através de uma conversa com um colega de quarto. Logo aí comecei a perceber a importância de uma boa rede de contatos”, referiu o norte-americano, atualmente com 44 anos. Mas a sua experiência na empresa de Steve Jobs não durou muito tempo e pouco depois Hoffman estava trabalhando na Fujitsu, sempre com um objetivo em mente: o de aprender como desenvolver um software de raiz e criar uma empresa.

    “Assisti a todo o mercado on-line aquecer. Eu realmente queria chegar longe e criar novas empresas, de modo que renunciei a minha posição na Fujitsu em 1997 para poder lançar a SocialNet”. Este site de relacionamentos foi a primeira aposta de Hoffman, que tinha como objetivo conectar várias pessoas no mundo. O negócio até teve um bom desenvolvimento nos primeiros meses, com o site conseguindo apoio de muitos investidores de risco. “A primeira vez que você faz alguma coisa, você aprende muitas e muitas lições. A primeira que eu aprendi foi que, quando você está construindo um produto, você precisa entender a forma como vai distribui-lo. Como você transforma um milhão de usuários em dez milhões de usuários? Pensávamos que íamos fazer boas parcerias com jornais mas isso acabou não acontecendo”.

    reid-hoffman

    O INÍCIO DO PAYPAL

    Enquanto Hoffman trabalhava no seu novo projeto, um colega chamado Peter Thiel tinha começado outro negócio promissor juntamente com Max Levchin, que mais tarde daria o nome de Paypal. Quando Hoffman pensou em abandonar o Socialnet e começar outro negócio, Thiel convidou-o a integrar o projeto: “Não faça isso. Junte-se a nós. Estamos num barril de pólvora. A festa está prestes a começar”.

    O norte-americano aceitou a proposta e tornou-se vice-presidente executivo da empresa, ficando responsável pelo desenvolvimento do negócio. O primeiro passo de Hoffman foi procurar por pessoas que tivessem experiência no sector bancário, de negociações financeiras na internet ou na indústria de pagamentos. “Eu vi alguns dos problemas que esta empresa tinha e que durante muito tempo ainda não tinham sido resolvidos. O que fiz foi juntar pedaços de informações. Isso me fez ver a forma como o mundo dos negócios estava para mudar”.

    Com o seu crescimento, o Paypal acabou sendo vendido ao eBay e Hoffman abandonou a empresa para partir em busca da criação da sua segunda empresa: o LinkedIn. “Aprendi muito durante o espaço profissional. Além disso, consegui bastante dinheiro com o Paypal, o que me permitiu financiar o meu novo projeto. Quando não temos capital, a ansiedade toma conta de nós. Começamos a perguntar se vamos conseguir ter sucesso para pagar as contas. Ao financiar o LinkedIn, consegui trabalhar de um modo bem mais relaxado”. O empresário começou o seu novo negócio inovador em plena crise financeira. Contudo, ele considera que esse foi um dos fatores que ajudou a atingir sucesso. “Eu tenho uma forte convicção que começar uma empresa em plena crise financeira é uma vantagem. É mais difícil conseguir capital, mas quando conseguimos, é uma vantagem enorme”.

    COMO COMEÇOU O LINKEDIN

    A empresa teve início em meados de 2002. Naquela altura, a internet tinha perdido alguma da sua credibilidade, principalmente depois das quedas em bolsa de muitas empresas. Mas esta situação era algo que agradava a Hoffman. “Podíamos mostrar às pessoas que tínhamos algo interessante e que poderia ser uma vantagem. Começamos devagar nos primeiros dias, para termos certezas de que o sistema funcionava. Não me recordo bem, mas penso que na altura as 13 pessoas que estavam associadas à empresa convidaram outros 112 amigos”.

    O desafio inicial do LinkedIn era o de conseguir um milhão de pessoas, de modo a que o LinkedIn pudesse ser considerado valioso no mercado. Por esse motivo, o ano de 2003 foi dedicado a conseguir que o LinkedIn conseguisse ser um site mais viral. “Eu sempre quis ter um milhão de pessoas, para depois conseguir construir um negócio em cima disso. Eu tenho a certeza que não estava pensando em um modelo de negócio, mas sim em uma forma de o tornar conhecido”.

    Em 2005, o LinkedIn lançou três possíveis fontes de receita. O primeiro foi a lista de trabalhos. O seguinte foi a criação de uma assinatura, que permite comunicações mais rápidas e uma melhor capacidade de pesquisa. “Originalmente até nem pensei em fazer publicidade, mas dois fatores levaram-me a alterar essa decisão. O primeiro foi o nosso público, que é muito interessante para as empresas. O segundo foi que percebemos que poderíamos criar produtos únicos para os negócios”.

    A DIFICULDADE EM CRESCER

    No verão de 2006, Hoffman identificou dois grandes problemas no seu projeto. O primeiro era o de que precisava redimensionar a empresa. O segundo era a necessidade de fazer com que os utilizadores do LinkedIn passassem a aparecer mais em grupos ou nas pesquisas de sites de busca. “Então pensei: ‘Qual destes problemas é mais difícil de resolver?’. Percebi que o segundo era o mais complexo, então contratei o Dan Nye de modo a melhorar o SEO do site”. Pouco depois, um antigo empregado do Google juntou-se à empresa. Era Deep Nishar, que ficou com as funções de vice-presidente dos produtos da empresa.

    “Eu baseio as minhas decisões numa pergunta: ‘Quais são as áreas em que eu posso fazer mais impacto no mundo?’. Foi por isso que investi no LinkedIn, pois considerei que com ele poderia mudar o mundo. O que eu mais quero é promover a inovação no emprego”. Durante os dois anos em que Nye trabalhou na empresa, as visitas no site passaram de 9 para 35 milhões e as vendas aumentaram 900%. O LinkedIn também contratou dezenas de empregados e expandiu-se para a Europa.

    Em 2008, o projeto concentrou-se em aumentar os seus rendimentos e conseguir mais vendas. “Mesmo que tivéssemos dinheiro no banco, nós queríamos ter ainda mais dinheiro lá. Uma das coisas que precisávamos fazer era encontrar produtos realmente interessantes”. Essa opção fez que a empresa tivesse de despedir 10% do seu pessoal. “Precisávamos reequilibrar as contas, para dar mais equilibrio financeiro ao projeto”. Esse maior equilíbrio permitiu que a empresa recebesse uma oferta pública inicial de acções, que acabou por se concretizar há um ano.

    AS 10 LIÇÕES SOBRE NEGÓCIOS DE REID HOFFMAN

    Depois de conhecer a história de Reid Hoffman, fique com algumas das dicas mais importantes compartilhadas por este empresário norte-americano. Use-as no seu dia-a-dia ou quando pensar em iniciar um novo projeto. Verá que elas podem mesmo fazer a diferença!

    1. PERTURBE ALGUÉM

    Para Hoffman, criar um negócio é fazer algo completamente diferente. No fundo, o empreendedor necessita ter o objetivo de revolucionar a indústria, tal como ele fez com o LinkedIn. “Pergunte a si mesmo: ‘O que estou criando é diferente do que já existe? Deve ser dez vezes melhor. Deve ser algo que mude completamente a indústria”. Para que perceba melhor, o empresário dá o exemplo do Skype. “Eles estão deixando de lado essas empresas caras que tomam conta dos celulares. Isso é bom”.

    2. TENHA UM GRANDE OBJETIVO

    “Você provavelmente irá perder o mesmo tempo trabalhando numa pequena empresa ou em uma grande. Por isso, não se deixe intimidar. Se pensar grande, pode ser que chegue até lá. Agora se pensar pequeno, jamais irá consegui-lo”, explica Hoffman, que desde o início definiu como objetivo do LinkedIn chegar a um milhão de visitantes.

    3. FAÇA CRESCER A SUA REDE DE CONTATOS

    “Aumente a sua rede. A sua rede inclui investidores, conselheiros, funcionários e clientes. Com uma rede ampla, você tem oportunidade de fazer grandes alterações na sua indústria. Jamais alguém consegue chegar ao sucesso sozinho”.

    4. PREPARE-SE PARA O MELHOR E PARA O PIOR

    Hoffman defende que devemos ter sempre um plano B, caso exista algum problema com o seu negócio. “Parte do seu planejamento deve incluir um plano de reserva. Tente perceber o que pode fazer caso algo não aconteça conforme o esperado. Dessa forma, você irá desenvolver o seu negócio com maior confiança”.

    5. TENHA UMA PERSISTÊNCIA FLEXÍVEL

    “Por um lado, você deve ter uma visão e ser persistente. Por outro, deve ter capacidade de mudar conforme os gostos dos seus clientes. A arte é saber quando ser flexível e saber misturar os dois conceitos”.

    6. COMECE CEDO

    “A não ser que você seja o Steve Jobs, é muito provável que você esteja errado sobre a sua primeira teoria. Então, comece cedo e faça-o muitas vezes. Ao estar no terreno, vai atrair clientes e são eles que vão-lhe dizer se está certo ou errado. Quanto mais cedo passar por essa fase, melhor”.

    7. MANTENHA A HONESTIDADE

    “Você vai precisar de amigos que digam ao seu projeto que ele tem erros. Não caia no erro de lidar apenas com as pessoas que o elogiam. Saber equilibrar os elogios com as críticas é importante e fará você evoluir”.

    8. ESTEJA EM TODA A PARTE

    “É importante você ter uma grande ideia, mas também é determinante que essa mesma ideia seja espalhada pelo mundo. Se ninguém souber que ela existe, de pouco adaintará tê-la desenvolvido. Por isso, invista em publicidade desde o primeiro minuto”.

    9. A CULTURA É IMPORTANTE

    “Você pode contratar pela experiência, mas acredite que ter a cultura certa da empresa é importante. Quando tiver funcionários, procure também saber a capacidade que eles têm para adaptarem-se ao mercado”.

    10. QUEBRE AS REGRAS

    “As regras do empreendedorismo não são leis da natureza. Você pode alterá-las. Além do mais, não dê ouvido a tudo o que dizem. Por vezes siga o seu instinto”.

    Para finalizar, aconselho veja um dos melhores videos de Reid Hoffman mais abaixo, no qual ele fala um pouco sobre empreendedorismo. A gravação ainda é longa, mas com certeza trará conhecimentos únicos.

     

     

    E você, o que achou da história de Reid Hoffman? Já conhecia este empresário? Que lições conseguiu retirar depois de conhecer o seu trajeto?

    Natural de Salvador-BA, é graduado em Analise de Sistemas pela Universidade Católica do Salvador (UCSal, 2003), e Especialista em Engenharia de Software pela Universidade Salvador (2010).